top of page

O Pequeno Antoine Ilustrado

  • Foto del escritor: Alberto Varela
    Alberto Varela
  • hace 3 días
  • 2 min de lectura

Actualizado: hace 1 día


Alberto Varela é estudante do Profesorado de Portugués del ENSLV "Sofía E. B. de Spangenberg". Após muitos anos lecionando Tecnologia, voltou-se atualmente para o ensino do Português.


ALBERTO VARELA



Antoine e o Príncipe, o Príncipe e Antoine
Antoine e o Príncipe, o Príncipe e Antoine


Olhava pois essa aparição com olhos redondos de espanto. (Antoine de Saint-Exupéry)

Imaginem  minha  surpresa  quando uma voz  estranha  me  acordou.   Dizia:

Por favor … desenha um avião para mim...

E foi assim, todos os dias dessa longa semana de junho, ao acordar, saindo do sonho, entrando na realidade.

E, bem olhado, era o melhor, porque minha cabeça estava dando voltas e mais voltas procurando que a inspiração viesse para mim, mas sem resultado. E, se na claridade dos meus dias não tinha acontecido isso, na escuridão das minhas noites poderia ser.

O Pequeno Príncipe foi se transfigurando no Pequeno Antoine, nessas procuras oníricas. 

Como é possível que alguém pudesse achar alguma nova leitura desse texto lido e lido milhões de vezes, por milhões de pessoas? E lembrei uma frase, essa dos olhos redondos de espanto, do primeiro encontro. Poderia ser um espanto ao avesso? Poderia ser que o Principezinho tivesse descoberto um desesperado Antoine, reclamando o que tanto precisava?

Que coisa teria se passado pela mente desse infante frente a essa aparição intimidante, que não fazia outra coisa senão falar e falar? E que quando tentava desenhar algo num caderno, para dar um pouco de luz a seus desvarios, só chegava a jibóias e elefantes.

Acho que uma história assim teria muitas probabilidades de gerar novos enfoques, e mesmo levar a alguma nova ciência, ainda não descoberta até o momento!

A Psicologia poderia dar uma capotada, se tivesse que analisar esse Antoine, com seus baobás reais e seus chapéus enigmáticos.

A Filosofia ganharia toda uma nova vertente, que alguém passaria a chamar logo de um nome bombástico, espalhafatoso, como sub-meta-física, ou algo assim.

Os meninos a leriam desde os primeiros anos, com perfeito conhecimento, perfeita disposição e clareza de pensamento. E depois, com o passar dos anos, iriam perdendo o interesse, até chegar à maturidade, quando jogariam esse livro no lixo.

Os professores de Língua duvidariam, fariam comparações odiosas, estabeleceriam prioridades de análise, brigariam uns contra os outros, nesses campos semânticos e lexicais, que a obra teria embrulhado.

Os pais não leriam anos depois, com outro olhar mais sábio, nem a teriam em outras línguas, atestando as livrarias.

Nem os estudantes quebrariam suas cabeças, procurando as mensagens ocultas nas palavras, as motivações imperdoáveis, as figuras fictícias, os voos na areia.

As personagens na obra seriam tão opostas ao original, que mudariam para coisas intangíveis, afastadas da realidade assim como da imaginação.

Gostei da ideia e mesmo achei que o fantasma de Saint-Exupéry gostaria também, quando eu fosse fazer-lhe companhia num voo noturno, como copiloto de guerra, mais adiante, em outra dimensão.

Depois de atrapalhar meus pensamentos dessa maneira, resgatei a inutilidade de uma obra destinada a ser esquecida, nem sequer a ser difamada.

Assim foi que "O Pequeno Antoine" chegou, ficou e morreu na Terra, tudo num mesmo ato do meu pensamento, mais ligado à necessidade de redigir alguma coisa do que ao provável interesse da humanidade nos meus desvarios.





Comentarios


bottom of page