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De comienzos y despedidas

  • Foto del escritor: Alejandra Leoni
    Alejandra Leoni
  • 4 jun
  • 5 min de lectura

Actualizado: 5 jun


Una especie de autobiografía en verso



Alejandra Leoni es Profesora de Portugués por el Intituto de Enseñanza Superior en Lenguas Vivas "J. R. Fernández" (IESLV"JRF") y se ha especializado en la Literatura Portuguesa. Hasta el momento de su jubilación fue profesora de Literatura Portuguesa, Seminarios de Literatura, Lengua Portuguesa II e Introducción a las Ciencias del Lenguaje en el IESLV "JRF"y en la Escuela Normal Superior en Lenguas Vivas “Sofía Broquen de Spangenberg”. Actualmente se desempeña como examinadora del Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira (CAPLE) en Buenos Aires y como conferencista. 


ALEJANDRA LEONI






La secuencia de poemas que hoy les comparto reúne algunos escritos que reflejan parte de mi recorrido por la literatura y la docencia: desde el momento en que descubrí a Fernando Pessoa y su poesía, como alumna del profesorado, en los ejemplares de la Biblioteca donada por el Gobierno de Portugal al Instituto que me formó, hasta el momento de mi jubilación como profesora de Lengua y de Literatura Portuguesa. Fue un mágico camino de vínculos entrañables y sentí en el cuerpo la experiencia extrema de trabajar con el lenguaje en la formación de profesores y traductores de portugués. 


Me resulta asombroso todavía reconocer la presencia de voces ajenas en nosotros y la de la propia palabra grabada en otros, ecos que resuenan y se reinventan multiplicando imágenes, como en espejos. Pude comprobar, a lo largo de estos años, de qué manera ciertos discursos, poetas, artistas, maestros, grupos de alumnos -voces que me han acompañado desde el comienzo y todavía me acompañan-  nos marcan, nos orientan, nos cobijan o, incluso, nos atraviesan.


Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito

E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios

Que largam do cais arrastando nas águas por sombra

Os vultos ao sol daquelas árvores antigas… 

 

Vienen a mi mente fragmentos de la grandiosa Chuva Oblíqua, y pienso…

 

Não sei quem me sonho...

Súbito toda a água do mar do porto é transparente

e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,

esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto…

 

¿Profesores? ¿Poetas? ¿Alumnos? 


De comienzos y despedidas se trata esta rueda transparente en la que se engarzan algunas palabras que fui escribiendo a la literatura, a Pessoa, a la profesión (amores) y a mis queridos alumnos, hoy también profesionales de la palabra (orgullos). 


Cuando me pidieron un soneto nuevo, se los escribí, como jugando. Deseaba que tuvieran los mejores alumnos y se los expresé, en versos -¡¿Qué mejor regalo para un futuro profesor?!-  y me despedí de ellos, al jubilarme, de la manera más pessoana que pude. Ellos entenderían. No usé en esa oportunidad mi lengua materna. Me oculté, una vez más, tras la máscara de una voz extranjera…

 

 A todos y cada uno de ellos, ¡gracias!



DE (IM)PULSOS E DE ESTRELAS

  

Naquela velha estante

de (im)pulsos e de estrelas

te achei.

 

 

 

Vítima das tempestades todas

refugiavas teus sonhos

em palavras 

buriladas de espuma.

 

E eu soube dar sentido

às fulgurações

invisíveis

dos teus olhos:

 

chama, lume, lar antigo

âncora de prata

do passado-presente

da ilusão que tive

 

e ainda tenho

em tua língua

espelhada

nesta lembrança minha.

 

 

 

Conheci teu ser mais íntimo

ao te abraçar

literariamente

nessa grácil leitura

toda minha.

 

 

 

 


 

SÓ OS DEUSES TODOS SÃO VERDADE

a Fernando Pessoa

 


Visões…

cores diferentes,

vozes diferentes,

tempos diferentes.

 

Os homens olham todos

para uma mesma deidade 

e encontram

deuses vários.

 

Olhar para o Além 

e ouvir o Silêncio das Estrelas

é escutar uma Orquestra Sinfônica

vibrando no Universo.

 

Algumas pessoas só ouvirão o brilho das trompetes,

outras seguirão o latejar dos timbales,

estes vão se emocionar pelo pranto meigo dos violinos,

eu vou me perder ao longe

na melancolia de um velho corne-inglês,

aqueles só vão acompanhar 

o rápido dizer do piano.

 

É tudo questão de sensibilidade para distinguir 

os diversos cantos.

É tudo questão de percepção.

 

Poucos são os que podem sentir essa harmonia

na sua totalidade

e admirar esse único deus 

     multifacetado

     polifônico

em todas as suas manifestações:

aqueles que nasceram para 

Maestro de Orquestra.




EN UNA ESCALINATA ANTIGUA

En una escalinata antigua,

en la pausa justa de la reflexión

que nos sorprende en la mitad de la línea…

o cayendo versos abajo

por los encabalgamientos

de algún ritmo desacompasado

has de encontrarme,

     a tu lado.

 

En cada medio de transporte

que te transporte hacia tus sueños

también has de encontrarme

     constante…

habitando cada uno de tus textos.

 

En tu entorno,

en tu lengua,

en todos los poetas:

     tu voz,

     tu poeta.




NÃO QUERIAS SONETOS DO PASSADO

Não querias sonetos do passado

mas algum que cantasse os nossos dias,

vou tentar desenhar, sem covardias,

palavras com um gosto renovado.

 

É só subir ao ritmo aqui orientado

as intenções e ideias que trazias

e contar, uma a uma, as alegrias

que cabem neste verso compassado.

 

Ou também, pode ser, nunca contenha

o tamanho da angústia que padeces

e aí o metro exato é que te obriga

 

a queimar num ritual de sangue e lenha

o peso dessa dor que não mereces.

Por isso a Poesia é nossa amiga!




QUASE GLOSANDO O POEMA III, DE “O GUARDADOR DE REBANHOS”

 

Ao entardecer, debruçado pela janela,

E sabendo de soslaio que há campos em frente,


Li até me arderem os olhos

Os trabalhos escritos das alunas da Alejandra

E senti desabar uma tormenta de verão pelas linhas fora,

Porque elas tentam exprimir com palavras do pensamento

O que eu senti com os olhos e com o nariz e com a boca

E dizem que eu queria isto ou rejeitava aquilo,

Mas o Caeiro não fazia isso... 

Floria nos seus versos, 

         naturalmente

Como as árvores frutais dão seus frutos.


Não concordo com o que dizem, mas absolvo-as

Porque elas andam a ler poetas mortos 

E nem têm tempo para descer os olhos 

Pela estrada por onde vão andando

Para reparar na maravilha daquilo

Que me faz sentir nascido a cada momento.

 

Por isso, Eu, o Descobridor da Natureza,

O Guardador 

         dos rebanhos que não são rebanhos,

O poeta sensacionista objetivo 

          que nem é poeta nem é pastor,

 

Desejo-lhes grandes olhos 

E claros ouvidos

Para ver e ouvir,


Espero que tenham Grandes Alunos, 

      -como os que eu tive em vocês…

E sol e chuva,  

      quando a chuva é precisa,


E que nas suas casas tenham

Ao pé de uma lareira sempre aquecida

Uma cadeira predileta 

Onde sentem a ler os meus versos

E que ao lerem estas palavras 

Pensem que sou 

Qualquer coisa natural e antiga:

      a professora que tanto ama o que faz

      mas que não pensa nisso

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe porque ama, nem o que é amar


Mas anda sempre a florir

Em cada linha, em cada aula, em cada verso. 




NOVO (IM)PULSO


Encontro nos teus versos 

a razão de tudo.

 

Descubro o Universo 

     e me perco

     e me afogo

     e me salvas 

neste novo (im)pulso 

de estrelas.


Encontro nos teus versos

o sossego

a luz diáfana

o aconchego

e um cíclico e fatal

     perpétuo 

     encantamento.


Descubro nos teus versos 

      a explicação

      dos teoremas todos

e a simples resolução 

      dos algoritmos 

      mais complexos.



SINTO QUE POSSO IR TRANQUILA

Sinto que posso ir tranquila

       -ricardianamente-

no sossego de ter dado tudo, e mais

       excessiva

que nem um Álvaro,

desmedidamente entregue às sensações todas

de ensinar e de aprender,

de ser toda a minha totalidade em cada encontro, 

em cada rima, em cada palavra,

assente em cada vírgula 

dada e recebida.


Não é depressão, não, 

nem é um Crepúsculo ainda    

      –acho.

Qual é a tua Impressão?

 

É o meu modo quiasmático 

     paradoxal 

de me despedir e ficar 

nestes breves versos

     permanecendo mesmo partindo.

 

Chora a chuva por fora 

nas rajadas de emoções 

ventando por dentro...

 

Cenestésica maneira 

de levar a profissão 

      atravessada

nos olhos, nas mãos e nos ouvidos, 

numa lembrança metonímica de tudo... 

na intersecção coral

de todas as vozes 

      heteronímicas 

      ficcionais

      reais 

suas 

minhas.

 

Obrigada

por tantas leituras

      -impensadas!

sobre as cinzas

já antigas

dos meus olhos. 


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